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| Cerejas recém-colhidas, ainda no começo da safra e prontas para virarem compota. |
Nêsperas (ou ameixas amarelas) em fim de safra. Mas ainda suficientes para um chutney.
Abaixo ao desperdício! A gente fica o ano inteiro esperando
aquela árvore dar fruta e quando vem a safra não se sabe o que fazer
com tantas. E aí, por mais que os parentes e amigos sejam presenteados,
sempre vão ficando várias na fruteira, o tempo passando e ninguém mais
consumindo. O resultado? Muitas frutas passadas, jogadas fora. Por
aqui, de nossa parte, temos ao máximo tentado evitar tal desperdício.
Doce de goiaba tem todo ano (com bicho ou sem bicho, afinal de contas
tudo lá no latifúndio é orgânico), de maçã e pêssego também. Mas são
frutas mais tradicionais nas receitas que vêm de nossas avós. Ao
contrário de nêsperas e cerejas, por exemplo.
Nêsperas (também
conhecidas aqui no Sul como ameixas amarelas) são frutas e inverno e
cerejas dão no verão. Como esse nosso tempo não tem mais certeza da
estação que está vivendo, temos as duas em produção lá no latifúndio.
Verdade que uma em fim de safra e outra proporcionando a primeira
colheita - que significa ainda muita cereja pela frente.
E o que
fazer, então, com as frutas? Primeiro foram as nêsperas e é bem difícil
encontrar receitas com elas. Até que o chef Javier Ruiz, o espanhol que
comanda a Petiscaria do Victor, sugeriu: “e por que não um chutney?”
Sim, por que não? Pesquisa difícil também. Umas duas ou três receitas,
até que uma delas, incluindo maçãs, me chamou a atenção. Como seria
pouca maçã para muita nêspera imaginei que não roubaria o sabor e fui à
luta. O resultado foi muito bom, picante na medida certa e com uma
acidez controlada pelo toque agridoce, na medida para acompanhar alguns
assados. Três semanas curtindo na geladeira foram necessárias para
melhor resultado de sabor.
Com as cerejas a ideia era fazer um
doce. Há várias receitas de geleias, outras de doces mesmo, mas meu foco
seria o que mais lembrasse uma compota, aquelas cerejas de vidro que
chegam tão saborosas do exterior. Sem maraschino, pelo menos nessa
primeira vez.
Consegui uma receita incrivelmente simples, que (aí
dá para dizer) não requer prática nem habilidade, pois é só lavar bem
as frutas, retirar o pedúnculo e cobri-las de calda. Aí é só aguardar o
resultado. Pelo que já pude experimentar, ficaram ótimas.
Vamos às receitas?
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