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sábado, 3 de dezembro de 2011

Para matar saudades do linguado do Restaurant Clémentine


Filé de linguado grelhado, apenas untado de azeite e temperado com sal.
Surgiu meio que assim, na brincadeira. E por que não um linguado como aquele do Clémentine?
Ainda nos remetia à recente viagem a Paris. Logo nos primeiros dias fomos atrás de uma indicação sobre alguns dos melhores pescados servidos na cidade. Nada de estrelas ou refletores turísticos. Aqueles cantinhos que os parisienses e os mais próximos vão comer. O Restaurante Clémentine confirmou todas as expectativas (fica logo atrás da Bourse, 5 Rue Saint-Marc – 75002) e tanto no exagerado prato de frutos do mar sobre o gelo que eu pedi quanto no linguado grelhado que veio para a Graça estava tudo no ponto, paladar apurado, sabores delicados e sem qualquer ressalva.
O linguado, então, cativava pela simplicidade. Apenas grelhado, com sal e um pouco de suco de limão. Mais nada. E veio à mesa ressaltando todo o sabor delicado do peixe, que fez o maior sucesso.
Aí bateu a vontade e com ela o desafio. Será que conseguiríamos algo parecido? Como a Graça não estava a fim de nada mais incrementado ou temperado, decidimos arriscar e demos a sorte de conseguir um naco mais alto de meio linguado lá da peixaria Keli Moser, do Mercado Municipal.
Mas ao comprar não resisti a umas atraentes lulas daquelas do nosso litoral. Pequenas e brilhantes. Pedi um pouquinho, para limpar em casa, lembrando de uma receita antiga que fazemos por aqui, com arroz, (acho até que era da antiga revista Cláudia, lá pelos anos 80) e que sempre deu bom resultado de sabor.
Comecei preparando o Arroz de lulas à marselhesa – não é risoto, é com arroz comum e com os procedimentos normais para o cozimento do arroz. E depois, quando o arroz já estava praticamente seco, pus os filés de linguado na grelha. Sem gordura, sem nada. Como a grelha é antiaderente, o máximo que fiz foi pingar algumas gotas de azeite de oliva e espalhar com papel-toalha, para untar por igual. Daí foi só salpicar um pouco de farinha de trigo no filé de linguado, temperar com sal (moído na hora) e mandar ver, ainda sem aquecimento total da grelha. Tostado de um lado, foi só virar, tostar do outro e servir, com algumas rodelas de limão siciliano para completar o sabor.
Para acompanhar, então, a combinação de lulas e arroz, que tem a receita a seguir.

Arroz de lulas à marselhesa

Ingredientes:

600g de lulas limpas
1 ½ xícara de arroz
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 cebola média cortada em rodelas (usei roxa)
2 dentes de alho amassados
1 colher (chá) de sementes de erva-doce
½ colher (chá) de cúrcuma (açafrão da terra)
3 tomates maduros, sem peles e sem sementes, picados
3 colheres (sopa) de salsinha picada
sal e pimenta-do-reino (moída na hora, de preferência)
4 xícaras de água quente

Modo de fazer

Corte os tentáculos das lulas em pedaços pequenos e as bolsas em anéis. Lave bem e deixe escorrendo.
Aqueça o azeite em uma panela e junte cebola e alho, mantendo em fogo baixo, para refogar até perderem a cor - sem deixar fritar. Quando estiverem murchos adicione as lulas escorridas e as sementes de erva-doce. Tempere com sal e pimenta.
Junte a cúrcuma e os pedaços de tomates, misture bem e cozinhe em fogo baixo por cerca de 5 minutos. Junte, então, a água quente. Verifique o tempero e acrescente a salsinha.
Lave o arroz várias vezes em água corrente, escorra bem e junte à lula. Cozinhe por cerca de mais 20 minutos ou até o arroz ficar macio e o líquido ser absorvido.

Rendimento: 4 porções.

Na hora de finalizar, separe um pedaço do linguado, disponha no prato ao lado do arroz (ajeite com um aro para ficar mais bacana) e bom proveito.

Ah, teve uma sobremesa também. Improvisadíssima! Tínhamos algumas rodelas de abacaxi na geladeira. Um tanto ácido para tal hora da noite. Veio a ideia na hora de darmos uma sapecada na frigideira. Sobre uma base de açúcar e manteiga. Ótimo, aprovação geral.
Manteiga derretendo e lembramos-nos daquele açúcar cristal vermelho que havíamos utilizado para um Crème brûlée deframboesas e mascarpone num jantar de inverno que curtimos e publicamos aqui. Era só para nós mesmo, quem iria cobrar qualquer possível quebra de decoro gastronômico?
Açúcar e manteiga derretidos e amalgamados, pusemos as rodelas de abacaxi e deixamos formar a crosta de grelhadas. Para completar, um pouquinho de Cointreau, uma chama e a flambadinha básica. Ficou bem interessante, tudo vermelho, é verdade, mas completou a boa noite,

Confira as ilustrações no novo endereço do blog, clicando aqui





terça-feira, 22 de novembro de 2011

Chou, o delicado sabor dos docinhos da moda em Paris


Os choux da Popelini, simpática lojinha que fica no Haute Marais, em Paris.
Dia desses escrevi aqui sobre os cannoli, aquele enroladinho italiano que está conquistando os brasileiros e tem sido sobremesa regular em vários restaurantes, principalmente em São Paulo, onde é moda (e que tem em Curitiba o chef Fabiano Marcolini como o principal artífice). Veio depois da onda dos petit gâteaux, dos cupcakes, dos macarons e até mesmo dos whoopies (estes ainda ganhando espaço entre nós).
Pois nesse giro rápido (é sempre mais breve do que desejamos) por Paris, pude constatar a nova mania que já começa a ganhar espaço entre os franceses: o chou. Que já existia na confeitaria clássica dos parisienses, mas que agora ganha novas versões, novos aromas e novos sabores.
Nada mais é que uma bombinha (ou carolina), que tradicionalmente levava recheio de creme. No máximo, chocolate. Pois já não há mais limites para a criatividade e hoje os sabores apresentados são praliné, chocolate, caramel au beurre salé, framboesa-rosa, pêra, café, baunilha, pistache, limão siciliano, jasmim, earl grey e mais tantos outros.
Para saber mais sobre os choux, os locais e as escolhas, vá ao novo endereço do blog, clicando aqui

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As vieiras grelhadas em nosso studio de Paris

Vieiras grelhadas com bavette ao molho de cogumelos na manteiga.
Não consigo resistir às vieiras. Quem consegue? Até tenho um post no blog antigo, “As delicadíssimas vieiras”, que é um dos mais acessados de lá até hoje.
E o que fazer quando elas são bem grandes, muito maiores que aquelas do nosso dia-a-dia, mesmo as importadas por nossas peixarias curitibanas? Citei-as no post que fiz sobre a Rue Mouffetard aqui no blog, atraentes e tentadoras. E o resultado foi o jantar de hoje, em casa, tudo da forma mais simples possível, para poder sentir o real sabor dos ingredientes naturais (porque tem isso também: não adianta ter vieiras magníficas, enormes, se chegarem mergulhadas em molho e molho, como fazem alguns restaurantes até bem conceituados de Curitiba com as massas servidas).
A ideia era uma coisa bem simples, com sabores locais.E como Paris é um festival de aromas e sabores, nada mais propício do que começar com uma salada de mâche, folhas curtas e arredondadas, que lembram, na forma, a rúcula, mas que são bem mais tenras e delicadas (no Mercado Municipal de Curitiba às vezes se encontram na banca do Mário).
Acompanhe o restantante do texto e as ilustrações no novo endereço do blog, clicando aqui.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Litoral atrai turistas com sabores e preços especiais


Barreado é atração especial no evento.
Um barreado a ser servido amanhã (29) vai marcar o lançamento oficial da primeira edição do Ecovia Sabores do Litoral - uma iniciativa da concessionária em parceria com a Agência de Desenvolvimento do Turismo Sustentável do Litoral do Paraná (Adetur) - que reúne 20 restaurantes associados, com o objetivo de valorizar a culinária local, resgatando as tradições regionais e divulgar a cadeia gastronômica dos municípios litorâneos.
Respaldado no sucesso que foi o Antonina Weekend, com os restaurantes cheios, a cidade movimentada e a volta dos turistas, que andavam desaparecidos desde a tragédia das chuvas de março, o evento pretende atrair mais turistas para o litoral paranaense a partir de outubro. Visitantes que passarem pelas cidades da orla paranaense nesse mês terão a oportunidade de conhecer a diversificada gastronomia da região e por um preço menor do que o praticado normalmente.
A promoção envolve as cidades de Antonina, Matinhos, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná - além da Ilha do Mel – e cada restaurante inscrito apresentou um prato selecionado para o evento, no qual o turista terá descontos a partir de 20% em relação ao preço original. 
Para saber mais detalhes e a relação dos restaurantes e seus pratos, cliqui aqui, no novo endereço do blog.

sábado, 18 de junho de 2011

O sucesso do Antonina Weekend


Chef Celso Freire em Antonina, sucesso do Antonina Weekend.
Antonina está colorida de gente feliz. O primeiro dia do Antonina Weekend foi um grande sucesso, com os restaurantes cheios, a cidade movimentada e a volta dos turistas, que andavam desaparecidos desde a tragédia das chuvas de março.
A proposta era exatamente essa, de atrair novamente para a simpática cidade litorânea os tantos visitantes que haviam desaparecido desde os dias difíceis de inundações e desmoronamentos. Os chefes de cozinha de Curitiba compraram a ideia, transferiram para lá suas panelas e, satisfeitos, viram as mesas lotadas durante todo o tempo de funcionamento.
Esse blogueiro andou por lá, de casa em casa, de sabor em sabor, para sentir as energias positivas da iniciativa e os bons fluidos dos chefs.
Veja todas as fotos e mais detalhes na nova página da Panela do Anacreon, no site do jornal Gazeta do Povo.
Clique aqui e confira.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Casa Portuguesa Com Certeza, 21 anos de (merecidos) prêmios

Apesar da falta de foco (by celular), a parede com as premiações.
Não tem erro. Todo ano, a cada nova publicação do Guia Quatro Rodas, tem espaço garantido entre os premiados paranaenses para o Restaurante Casa Portuguesa com Certeza. Isso mesmo, é lá em Maringá que se come o melhor bacalhau das bandas de cá. E isso não é de agora, vem desde 1988, com a ininterrupta premiação por 21 anos seguidos, dez anos depois que o português Luiz Siqueira Galvão (com sua esposa, Maria Júlia) iniciou as atividades no restaurante.
Luiz Siqueira Galvão, o dono do sucesso ininterrupto.
A casa é decorada com motivos portugueses, desde a grande bandeira do país, passando pelo galo (ave símbolo de "Portogalo") e incluindo fotos e faixas do Futebol Clube do Porto, o time de preferência de Galvão. Em uma das paredes, todos os prêmios concernentes às estrelas da Quatro Rodas e algumas páginas de publicações sobre o restaurante. Incluindo um artigo de Marcelo Frommer (o ex-Titãs falecido em acidente há alguns anos), gourmet notório, elogiando tudo o que seria possível (os Titãs foram frequentadores assíduos).
No cardápio, somente bacalhau, a começar pelos bolinhos sugeridos como entrada. Com 11 diferentes versões, cada uma mais atraente que a outra e todas com preço em torno de R$ 80 – bem servidos para duas pessoas. Um dos principais é o Marieta, composto por bacalhau em posta, batata cozida, cebolada com azeite, ovo ralado, salsinha e azeitonas. A carta de vinhos é curta mas eficiente, com belos portugueses, brancos e tintos.
Bacalhau à Marieta, ligeiramente fora de foco (by celular).
Estive lá no fim de semana e adorei o Marieta, muito bem acompanhado do Periquita branco (2009), sobre o qual eu havia ouvido ótimas referências da Alexandra Corvo no programete da BandNews, plenamente comprovadas no aroma e no copo.
 



Casa Portuguesa Com Certeza
Avenida Cerro Azul, 214
Fone: (44) 3226-9283

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O bisão de Manitoba

Segui para Winnipeg com algumas boas dicas gastronômicas. Lucky Schnitzer, da Personal Brasil, um especialista em Canadá, me apontou quatro ou cinco endereços. Claro que não daria tempo de ir a todos, até porque o tempo de permanência na cidade seria curto e ainda havia a programação familiar, almoço aqui, jantar ali, a noite de Natal, o almoço do dia seguinte...
Mas segui as dicas que o tempo permitiu e especialmente em uma delas fiquei fascinado: Resto Gare. Uma boa comida francesa – Lucky me disse. Boa? Ótima, um dos melhores restaurantes dentre os tantos em que já estive entre os tantos cantos do mundo que já frequentei. Não arriscaria uma classificação direta e fria, mas se forçasse a barra poderia até ousar incluir entre os Top 5. Sem qualquer exagero.
O chef se chama Jamie Snow (claro que sem nenhuma referência ou trocadinho ao branco total lá de fora naqueles -13C que faziam naquela noite) e está mais para a cozinha clássica francesa, embora se permita alguns arroubos em determinados pratos. Estávamos em cinco e exceto por uma pessoa que preferiu ficar apenas no sanduíche (que o cardápio também oferece), todos os demais adoraram tudo o que foi à mesa, prato a prato, da entrada à sobremesa.

Pedimos um Chateau Pesquie Les Terrasses 2008 ($ 35, mas $ 15 na liquor house) (como é barato o vinho francês no Canadá!) e começamos a delirar a cada nova sensação de paladar, com a chegada das entradas.  
Escargots casserole.

Escargot Casserole (escargots salteados com batatas, echalotes, redução de vinho tinto e torradinhas de alho - $ 10), que estava com temperos bem equilibrados, sobressaindo-se o vinho, mas sem sobrepor sabor aos escargots.
Champignon fricassée.

No Champignon fricassée (Cogumelos salteados com tomilho, vinagrete de alho negro, pão grelhado e queijo parmesão raspado - $ 10) elogios totais à textura e ao sabor dos cogumelos, bem como ao ponto das torradas.
Coquilles Saint Jacques.

Mas o ponto alto das entradas foram as vieiras. No cardápio, o nome simples e básico: Coquilles Saint Jacques. Mas já conhecíamos as vieiras canadenses, os scallops, imaginamos o melhor. E foi melhor ainda. Pra começar eram vieiras enormes, daquelas que só existem por lá e que devem ser cortadas em quatro para irem à boca. E chegaram gratinadas em queijo gruyère, sobre um chantilly de batatas com trufas negras - $ 12. O marcante e insuperável sabor das trufas estava na medida, o suficiente para se exibir sem atropelar as delicadas vieiras. Inesquecível!
Passamos aos pratos principais.
Filet Mignon.

Exceto por um Filet Mignon (peça certificada de red angus, de 200g, ao ponto, também sobre um chantilly de batatas com trufas negras, mais molho bordelaise e legumes da época - $ 27) muito saboroso e sem qualquer restrição, os demais presentes pediram o mesmo prato: Bison Manitobain - $ 27. Já estava nos planos desde o Brasil, pois o bisão – aquele boizão barbudo - é o símbolo do estado de Manitoba e da região de Winnipeg e, na mesa, a melhor representação local. Quem pediu não se arrependeu.
Bison Manitobain.


Eram tenros nacos de short ribs (um corte da costela, sem osso) também com o molho bordelaise em redução de amoras, sobre purê de batatas e aspargos frescos cozidos al dente. A carne lembra muito a bovina, mais a de búfalo, tem um toque ligeiramente adocicado e é saborosíssima. O tempero do chef pode ter contribuído, mas o registro de paladar do bisão certamente já ocupa lugar de destaque em minha memória de agradáveis sabores.
Para sobremesa, uma Maple pie, apresentando outro produto típico do país. E esse ainda mais forte, pois uma folha da árvore de maple é o símbolo oficial do Canadá, com destaque em sua bandeira nacional. O maple syrup é aquela delícia que se derrama sobre as panquecas e os waffles nos cafés matinais (ou em outra hora do dia, conforme o gosto de cada um). A torta de maple foi o fecho ideal para uma noite mágica, como não seria de se esperar da gastronomia canadense.
Emily, a simpática garçonete, nos traz a Maple Pie.


O Resto Gare fica no bairro francês de Winnipeg, St. Boniface. E foi construído em torno de um vagão de trem (gare, em francês, é estação de trem), muito charmoso, com suas mesinhas arrumadas em ordem de um vagão-restaurante. É de se voltar sempre para nós, que já fomos. E de se ir para quem precisava de um motivo para conhecer Winnipeg.