Uma conversa saborosa com quem aprecia as boas coisas do pecado da gula. Jornalista esportivo e chegado às coisas do fogão.
domingo, 4 de abril de 2010
O aconchego do Alba Chiara
O local é encantador. Simples, algumas poucas mesas que permitem a lotação máxima de 24 pessoas, o restaurante Alba Chiara representa a volta ao lar do chef Marcelo De Paula à Curitiba onde nasceu. São apenas dois, ele e a mulher, Kátia, envolvidos em todo o processo que garante muito amor e sabor nas coisas que fazem. Aliás, o próprio nome do restaurante tem a ver com a feliz união dos dois. Alba Chiara, uma canção de Vasco Rossi é a música que simboliza a união dos dois, que se conheceram na Itália e voltaram juntos para o Brasil.
Com 22 anos de profissão e experiência internacional, Marcelo De Paula começou sua carreira internacional em Milão, Itália, no restaurante L'Ortolano, de onde saiu para ser sus chef no sofisticado Il Giardino, também em Milão. Ao todo, foram oito anos na Itália, de onde saiu direto para a cozinha do Ouro Minas Hotel, o único 5 estrelas de Belo Horizonte. Depois de passar por outras casas na capital mineira foi para São Paulo chefiar a cozinha do Restaurante Alimentari, de Sergio Arno, voltando a Minas para dirigir todo o segmento gastronômico do Grande Hotel de Araxá e Termas Spa, onde permaneceu por quatro anos.
A proposta da nova casa, que fica no São Francisco, a um pulinho do centro de Curitiba, está focada basicamente no almoço, que vai das 11h30 às 19h, visando atingir justamente aquele público que nem sempre tem horário para fazer a principal refeição do dia. O sistema é simples e de bom preço. O cliente pode fazer a combinação entre salada, massa e carne, variando o valor conforme o que for escolhido. A combinação de massa e salada sai por R$ 8,50; salada e carne, R$ 11; carne, massa e salada, R$ 16,50.
A salada é composta de folhas, tomates e ganha um molho cremoso com toque de mostarda.
Para as massas, a escolha fica entre três tipos (penne, spaghetti e fettucine, mas às vezes há variações), a serem combinadas com 20 molhos diferentes, como esse de Bacon e zucchini.
Chegam à mesa também dividindo os pratos com carnes, como esse Fettucine à carbonara com escalopes de mignon.
Para a noite, o Alba Chiara muda completamente de perfil. O restaurante abre para eventos, de quinta à sábado oferece um menu a la carte e, com reservas antecipadas, proporciona ao cliente interessantes variações de menu degustação, nos quais Marcelo De Paula apresenta todas as suas influências nas cozinhas tradicional e contemporânea italianas e algumas incursões por outras áreas que podem surpreender, como francesa, mediterrânea ou até mesmo tailandesa.
Para que se tenha ideia do que é oferecido nessas ocasiões, entre as entradas há o Crostine de tomate fresco com mussarela ou o Carpaccio de filé mignon ao molho de mostarda. Entre as massas e risotos, Penne com camarões, alcachofra e creme, Torteloni de figos e nozes com ricota na manteiga, Risoto com brasato de cordeiro ou Ravióli de confit de pato ao creme trufado. Salmão ao molho chardonnay com musseline de batata-baroa e Medalhão de mignon ao funghi com batatas ao creme estão entre os pratos principais. Para sobremesa, o sotaque italiano em Semifredo de chocolate e Panna cota.
A casa tem uma carta de vinhos ainda pequena, mas com interessantes rótulos selecionados pela Porto a Porto.
O ótimo tempero, o capricho na elaboração dos pratos e o contato direto de Marcelo e Kátia com os clientes fazem do Alba Chiara um local aconchegante, como se fosse a extensão da casa de cada um de nós. Vale a pena experimentar.
Ristorante Alba Chiara – Cucina Creativa
Rua Visconde de Nacar, 471 – São Francisco
Fone: (41) 3022-0167
E-mail: ristalbachiara@gmail.com
sábado, 3 de abril de 2010
O bacalhau à Pereira Ignácio
Claro que nunca fica igual. Decidido a mudar de rumo no bacalhau da Sexta-feira Santa, fui escolher entre os apresentados na última edição da revista Gosto. Todos muito interessantes, mas optamos aqui pelo Bacalhau à Pereira Ignácio, receita que leva o nome do avô português do empresário Antonio Ermírio de Moraes e é tradição naquela família.
A cebola picada é dourada no azeite de oliva, depois vem o bacalhau em lascas e as azeitonas pretas. Em seguida, ovos mexidos misturados com salsinha e pronto. Rapidíssimo e muito saboroso.
Difícil foi escolher o vinho, por causa do ovo, tão complicado de harmonizar. Mas a sugestão do Flávio Bin, da Porto a Porto, acertou na mosca: o TM 2007, um Ribera Del Duero feito com uva tempranillo e sem muita acidez que se chocasse com o mexido de ovos.
Foi um belo jantar.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Tem bacalhau, é claro
Claro que não poderia faltar bacalhau na Sexta-feira Santa. É que aqui no Brasil é o dia de se comer bacalhau e ninguém tira. Em outros países do mundo há uma presença mais constante no cardápio, principalmente nas festas de fim de ano. Que foi a origem do prato de hoje, o Bacalhau à Extremadura, publicado na coluna Paladar no fim de 2006 como destaque para a mesa de passagem de ano (http://bit.ly/aYQJo9). A criação é de de Luiz Domingues, chef do Buffet Nani Carvalho Gastronomia e Eventos. O interessante é a variação (sempre perigosa em termos de bacalhau, mas que aqui se assentou bem), incluindo caviar e nozes-pecã.
Bacalhau à Extremadura
Por Luiz Domingues, chef do Buffet Nani Carvalho Gastronomia e Eventos
Ingredientes:
200 g de bacalhau
200 g de batata bolinha
100 g de nozes-pecã
1 vidro de caviar
azeite de oliva
óleo de soja
cheiro-verde
sal
Modo de preparo:
Dessalgar o bacalhau por 36 horas, cozinhá-lo rapidamente e reservar. Na mesma água do bacalhau aferventar as batatas.
Em uma frigideira colocar o óleo para aquecer e dourar o bacalhau, retirar e deixar em um local aquecido. Em seguida dourar as batatas no mesmo óleo.
Picar o cheiro verde e fritar levemente no azeite de oliva com sal.
Montar as batatas o bacalhau e regar com o azeite e o cheiro verde, decorar com o caviar e as nozes.
Rendimento: 2 porções.
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