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| Barriga de porco assada, com purê de couve-flor e batata doce com cebola roxa confitada. |
Não sei quando fiz pela primeira vez. Mas o primeiro registro que tenho foi da que servi na
Confraria do Armazém,
no início do ano passado. Lembro-me de ter visto a receita em um
programa de TV, que, sinceramente, não me recordo mais qual era. Era um
gringo daqueles mais espevitados, meio exibido, que fazia várias coisas
ao mesmo tempo e uma delas era essa tal Barriga de porco. Prestei
atenção, fiz uma primeira experiência em casa e deu certo.
Fiquei impressionado pela simplicidade na maneira de fazer. Já tinha comido por aí. A do chef Benny Novak, do
Ici Bistrô,
de São Paulo, sempre foi minha favorita. Mais recentemente quem incluiu
a peça no cardápio foi a brilhante Manu Buffara, em seu premiado e hoje
nacionalmente consagrado
Manu (
servida com molho de feijão, conforme relatei aqui semanas atrás).
Mas, nesses casos, a execução é bem mais complicada. E os resultados,
reconheço, não são nada diferentes na comparação com essa que faço por
aqui.
Pois no fim de semana deu vontade. Agora com algumas sobras
de tempo, ao contrário da correria que foi a cobertura do campeonato
paranaense. E para o domingo livre o almoço em família veio a calhar.
Convoquei minha sous-chef Maria Vitória (Vitorina, sobrinha querida,
desde os 9 anos e há 9 anos cozinhando ao meu lado) e lá fomos nós
executar o cardápio. Que tinha, é claro, entrada, prato principal e
sobremesa. Como qualquer refeição que se preze, é bom que se diga.
Carne
seria o foco, pois das últimas vezes os peixes e frutos do mar tinham
marcado nossas escolhas. Várias consecutivas. Mas não qualquer carne,
uma barriga de porco, macia e saborosa, desmanchando por dentro e
crocante na pele pururuca. O prato principal, portanto, foi o primeiro a
ser concebido.
(A barriga do porco é uma peça de muita gordura e
pouca carne, que serve para os norte-americanos fazerem o bacon. E, é
claro, é a mesma pancetta, tão apreciada pelos italianos.)
Faltava
o acompanhamento e um deles já me vinha na cabeça desde que a barriga
surgiu como ideia: Purê de couve-flor. É justamente o acompanhamento do
prato de Novak e é delicioso, macio, delicado e saboroso. E, também,
nada complicado de fazer, podendo se prestar, inclusive, para escoltar
outros pratos de carne ou aves.
Mas daí surgiu a possibilidade de
um segundo acompanhamento. Meio por acaso, mas não tinha como deixar de
fora. Foi no Festival Português do Pestana Curitiba Hotel, que trouxe
de Salvador o chef Fernando Fonseca, do Pestana Bahia Hotel.
Conforme relatei aqui no blog,
uma combinação de batata-doce e cebola roxa me agradou muito. Como ele
explicou direitinho o modo de fazer, incluir o prato em nosso cardápio
de domingo foi automático e natural. O toque agridoce que tanto e cebola
quanto a batata passam se dá muito bem com a carne de porco, conforme
foi possível comprovar.
Prato principal e guarnições definidos,
começou a busca pelos acompanhamentos. Aprecio muito um site francês
chamado Cuisine AZ, do qual sempre recebo receitas e sugestões por
e-mail. Além de ter acesso a boas indicações, continuo praticando meu
francês, para não deixar enferrujar. E foi lá que encontrei a proposta
para a entrada:
Clafoutis de tomates cerises et chèvre.
Clafoutis normalmente eles fazem com frutas doces, como sobremesa. Mas
como o tomate também é uma fruta, a adaptação ficou fácil. Trata-se de
uma espécie de torta quente, à base de ovos e leite, na qual se cozinha
ao forno uma fruta (quase sempre vermelha) dentro. Nesse aqui há a
sugestão de incluir o queijo de cabra e o resultado final ficou bem
interessante.
Como sobremesa, uma encomenda da dona da casa, que
queria algo com chocolate 70%, sentindo o gosto do cacau. E veio uma
receita que já estava arquivada fazia um bom tempo, a da Mousse de
chocolate ao rum. A exemplo das demais, também simples e de fácil
execução.
Com o queijo de cabra que sobrou, fizemos um petisco
para abastecer os próprios cozinheiros na lida, porque, afinal, ninguém é
de ferro. A Maria Eugênia (outra sobrinha querida) fotografou tudo e
registrou esse almoço pra lá de especial.
O cardápio, então, ficou assim:
Petisco:
Cubinhos de queijo de cabra com azeite de oliva e salsinha.
Entrada:
Clafoutis de tomate-cereja com queijo de cabra.
Prato principal:
Barriga de porco com purê de couve-flor e batata-doce com cebola roxa confitada.
Sobremesa:
Mousse de chocolate ao rum.
Para o restante do post e as receitas completas de todos os pratos, clique aqui, no endereço do blog no site do jornal Gazeta do Povo.