quarta-feira, 2 de março de 2011

Vinhos biodinâmicos da Alsácia agora ao nosso alcance

Os vinhos da Alsácia são muito especiais, frutados, frescos e elegantes. Estive por lá recentemente, em Estrasburgo, e fiquei ainda mais encantado com o eles produzem. Embora seja uma região vinícola francesa basicamente destinada à produção de vinhos brancos, eles surpreendem com alguns Pinot Noir divinos. Comprei alguns com o objetivo de trazer para o Brasil, mas como ainda tínhamos alguns dias de França pela frente, foram todos consumidos por lá mesmo, naquele calor absurdo do julho de Paris.
Pois não é que a importadora Porto a Porto está trazendo alguns desses alsacianos para o Brasil? Melhor ainda, biodinâmicos. As vinhas do produtor Domaine Barmès Buecher são totalmente biodinâmicas e impulsionadas pelos efeitos naturais da Terra. Por isso, o processo descarta qualquer necessidade de utilização de produtos químicos nas vinhas e adegas, nem mesmo adição de açúcar. O objetivo é manter o equilíbrio inicial das uvas e preservar a sua essência.
O resultado é um vinho conhecido com classificação excepcional e citado no livro Os melhores vinhos da França - edição 2010. Além disso, a bebida é elegante, complexa e muito frutada pela excelente maturação da fruta. Entre os vinhos que já poderão ser conferidos no Brasil, destaques para o Gewürztraminer Rosenberg, que tem graduação alcoólica de 14,1%, e para o Pinot Noir Réserve, com graduação alcoólica de 13,5%. Para ambos, o preço final sugerido é de R$ 100.

Trattoria Lugana, a boa comida como se fosse feita em casa

Cabrito assado com batatas, brócolis e cebola da Trattoria Lugana.
É tudo o que se propõe ser uma trattoria: junta simplicidade com boa comida. O correspondente em português para a definição de trattoria é taberna, local onde há boa comida (com fartura e sem afetações) e bom vinho. E isso a Trattoria Lugana tem. Aberta há poucos dias, por enquanto funciona apenas para o jantar, com almoços nos fins de semana. Mas já começa a atrair bons comilões, interessados na boa relação entre preço e qualidade.
Chef Chiquinho Ferreira, experiência em cucina casalinga.
A cozinha está por conta do chef Chiquinho Ferreira, um piauiense que já rodou muito por restaurantes paulistanos, dos quais passou por mais de dez anos num daqueles com mais acentuado sotaque italiano, o Empório Ravióli, que pratica a cucina casalinga, o jeito caseiro de se cozinha na Velha Bota.
E a proposta da Lugana é exatamente essa, com oferta de massas, carnes e peixes que poderiam muito bem vir de uma simples taberna em qualquer recanto do interior da Itália. O cardápio apresenta três "sugestões do chef", que vão da salada de folhas à sobremesa, com cinco alternativas de prato principal e quatro de sobremesa. O preço fechado está em torno dos R$ 40, com porções fartas e o direito a cafezinho ou chás para encerrar a refeição.
Salada de folhas.
Algumas das massas, inclusive as recheadas, são feitas na casa e outras são importadas. Há também quatro opções de risotos. Dentre os peixes, linguado, pescada amarela e salmão. Mas o que atiça mesmo a gula são as carnes, com algumas sugestões de filé mignon, polpetta, galeto, filé de frango e duas que nos pareceram muito especiais e nossa primeira visita: ossobuco e cabrito.
Ossobuco com polenta.
O Ossobuco com polenta (R$ 48) é muito macio e bem temperado, tutano farto, com o delicado e sutil sabor da laranja bem ao fundo, como as raízes italianas ensinam. O Cabrito assado com batatas, brócolis e cebola (R$ 55) também agradou e estava se desmanchando ao toque do garfo, com molho delicado feito com os sumos da própria carne.
Torta de nozes.
A sobremesa foi uma Torta de nozes com sorvete de creme. Mais caseira, impossível.
A Trattoria Lugana tem uma boa carta de vinhos, entre velho e novo mundo. Mas o que marca são os importados diretamente, o que revela a origem e a identificação da casa (e aí se explica o esmero e qualidade).
Os vinhos do Piemonte, orgulhosamente exibidos no salão principal.
Quando se pergunta aos garçons sobre os proprietários, ninguém diz nada. Eles preferem não se identificar – explicam.
Azeite importado especialmente pela casa.
Mas, ao mesmo tempo, orgulhosamente, apresentam azeites e vinhos (todos do Piemonte, provável origem da família, imagina-se) importados diretamente para a trattoria. E aí, quando a curiosidade do jornalista vira o rótulo da garrafa para constatar o nome do importador, está lá: Parati S/A – o grupo catarinense de alimentação. Melhor garantia de qualidade, impossível.

Trattoria Lugana
Rua Brigadeiro Franco, 920 - Centro
Fone: (41) 3223-1010

terça-feira, 1 de março de 2011

Para matar saudades, a noite encantada da Confraria do Armazém

O tempo parecia não passar, mas finalmente chegou o dia do primeiro jantar do ano da Confraria do Armazém. É que normalmente não tem a reunião em dezembro (por ser na última segunda-feira do mês sempre cai no meio das festas) e a de janeiro foi suspensa na última hora por razões de saúde de um confrade.
Felizmente tudo bem, todos bem e ontem aconteceu o aguardado encontro para matar saudades da boa conversa, da boa comida e dos bons vinhos. Tendo como convidados especiais o jornalista esportivo Airton Cordeiro e o editor e crítico de vinhos Jackson Brustolin, o evento contou com o seguinte cardápio:
Petisco: Carne de Onça do Bar do Alemão (por Andersen Prado);
Entrada: Costelinha de porco com musseline de couve-flor (por Marcus Coelho);
Sorbet entre os pratos: Sorbet de lima (por Alexandre Vicki);
Prato principal: Festival de Verão: Pescada amarela grelhada com alcaparras, Camarão puxado na manteiga de camarão e Panqueca de siri ao beurre blanc (por José Aristides Loureiro);
Sobremesa: Creme de limão siciliano com morangos assados ao Porto (por Luiz Augusto Xavier, em receita original de Paula Labaki, do Lena Labaki Catering).
Um grande desafio para o paladar e principalmente para a harmonização com vinhos, pois a sequência dos pratos era invertida em relação ao que costumeiramente se faz, com pratos de peixe puxando para os de carne. Mas o Luiz Carlos Zanoni deu um jeito e tudo deu muito certo, começando com o espumante português Vértice Rosé e mantendo a cor com o Cabernet d'Anjou 2006 (Domaine Baumard), elaborado com a uva Cabernet Franc e que se deu muito bem com o que foi à mesa. Para fechar, um Porto (já presente, inclusive, na calda dos morangos).
Todas as fotos são do confrade Plínio Zanardi.
Para petiscar, Andersen Prado fez a carne de onça do Bar do Alemão.



José Aristides e Marcus Coelho, preparando entrada e prato principal.

Alexandre Vicki e o Sorbet de lima com vinho rosé - servido entre os pratos.
Luiz Augusto Xavier preparando a sobremesa.
Costelinha de porco com musseline de couve-flor.
Sorbet de lima com vinho rosé.




Pescada amarela grelhada com alcaparras, Camarão puxado na manteiga de camarão e Panqueca de siri ao beurre blanc. 

Creme de limão siciliano com morangos assados ao Porto.












E agora todos já estão contando os dias para o encontro do mês que vem. Que já tem até cardápio definido, torcendo para o tempo passar mais rápido dessa vez.