terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Degustação de vinhos da Fasano na Adega Brasil

A Adega Brasil Delicatessen inicia hoje - a partir das 19h30 - uma série de degustações que pretende realizar durante o ano. O sommelier da casa, Washington Uchôa Junior, vai promover degustações mensais para os habitués do estabelecimento. Esta primeira delas conta com a participação da importadora Enoteca Fasano e serão apresentados cinco rótulos chilenos, acompanhados de tábuas de frios importados e pães caseiros. Este primeiro encontro será conduzido pelo próprio Uchôa.
Adega Brasil Delicatessen
Avenida Cândido Hartmann, 1485 – Mercês
Fone: (41) 3014 0796

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

À Bell Munner ou Acordon Bleu?


E já que puxamos o tema para essas coisas engraçadas e pitorescas que aparecem em cardápios por conta da falta de informação de chefs e proprietários, acredito que o nome que oferece mais variação é o do peixe "à belle meunière". Já vi de tudo por aí, desde "à bela mulher" até "à bela maneira". Na época não tinha o blog e deixei passar em branco. Mas prometo ir atrás, novamente.
Trata-se de um método de cozimento que pode ser utilizado para vários tipos de peixe, embora o clássico seja o linguado. O filé é sempre levemente passado na farinha de trigo (de onde vem o nome de origem, pois meunière é a mulher do moleiro, que, no início do século passado começou a usar a farinha do moinho para garantir a melhor consistência do pescado na frigideira) e depois frito na manteiga. Na hora de servir, algumas gotas de limão, um toque a mais de manteiga para derreter e salsinha picada. Há uma variação, acrescentando alcaparras e camarões, que passou a se chamar à la belle meunière, por quem talvez achasse a mulher muito bonita. E com mais de um século de difusão, surgiram todas as (mais loucas e livres) interpretações que se tem conhecimento. Como nessa, que registrei em um bar/restaurante de Foz do Iguaçu, dias atrás: "a bell munner". Qual será o significado? Alguma a coisa a ver com o bater de um sino? Na composição dos ingredientes até que não saía da linha original. Exceto pela margarina. Seja como for, não experimentei.

Da mesma forma como nem cheguei perto do tal Filet acordon bleu, que nada tinha a ver com a receita original do que se entende por à Cordon Bleu, o escalope (de vitelo, quase sempre) que é batido, ganha uma fatia de presunto, outra de queijo e daí é enrolado e frito com uma crosta à milanesa.

Aí reparei que na mesma relação de filés, um pouco mais acima, tinha uma opção à Parmegiane (!!!), tentando seguir o padrão. Daí, quando espiei mais um pouco à direita e vi que o macarrão deles é o tal Spaguett, dei baixa.

Que tal uma paeja?

Dá calafrios cada vez que ouço: "Paeja". E o pior é que de vez em quando vem da boca de bons amigos gourmets e gourmands, que já rodaram o suficiente para saber diferenciar a pronúncia espanhola da argentina.
Lembro-me de estarmos, certa vez, em um restaurante de Valencia e um amigo à mesa pedir "paeja" para o proprietário, um daqueles espanhóis fortes e turrões. Ele inflou o peito e começou a berrar algo como "se tu querer uma 'paeja' que siga para a Argentina, pois aqui o que temos é paella..." e mais alguns impropérios que seguiram.
A regrinha é simples. O "ll" tem pronúncia de J na Argentina e Uruguai, basicamente. Na Espanha e boa parte dos demais países sul-americanos o som é de algo próximo do "lhi" e aí se ouve "paêlhia" para o saboroso prato. Sempre que alguém me questiona ou põe dúvida, pergunto como ele pronunciaria Sevillha, que originalmente se escreve Sevilla. Jamais diria "Sevija", não é mesmo?
Mas por aqui ainda há quem imagine dominar as origens e as pronúncias e até anúncio em rádio tem de restaurante oferecendo "paejas" no almoço. Nesses eu me recuso a ir. Com esse sotaque o prato não deve ser grande coisa.
Mas ontem me deparei pela primeira vez com a pronúncia institucionalizada em texto. Foi numa churrascaria de Paranavaí (aliás, com serviço péssimo, embora – e talvez por isso – lotada), que nem sei por que razão misturava os sabores dessa forma em vez de se concentrar na carne. Na plaquinha ilustrativa do buffet, estava lá escrito para quem quisesse ver: Paeja.
Bem, pelo menos foram autênticos.
Se estava boa? Só passei perto para tirar a foto, nada mais.