sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Grand Cru agora tem endereço próprio em Curitiba

A loja da Grand Cru em Curitiba (fotos de Kelly Knevels)
Já funcionando em soft opening a primeira loja e bar de vinhos exclusivos da importadora Grand Cru em Curitiba.
O projeto da nova casa é assinado pelas arquitetas Giuliana Soncin e Monica Belich Katz e conta com o primeiro legítimo wine bar da cidade, loja e espaços para eventos enogastronômicos e empresariais, com completo equipamento multimídia.
Patrycia Coelho, à frente da franquia. 

A importadora Grand Cru é a maior referência em Bordeaux no País, até então presentes nos restaurantes curitibanos com seus diversos rótulos, mas operando até o momento via televendas. Além dos incomparáveis franceses, a importadora traz mais de 1500 rótulos – sendo 625 deles de importação exclusivas - de outras vinícolas do Velho e Novo Mundo, como Chile, Espanha, Portugal, Austrália e Nova Zelândia.
Atuando no mercado brasileiro desde agosto de 2002, a Grand Cru já conta com 20 lojas espalhadas pelas principais capitais do País. Originária da Argentina, também tem unidades no México e no Uruguai.
Grand Cru Curitiba
Rua Pasteur, 90 – Batel
Fone: (41) 3044-0292


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O bisão de Manitoba

Segui para Winnipeg com algumas boas dicas gastronômicas. Lucky Schnitzer, da Personal Brasil, um especialista em Canadá, me apontou quatro ou cinco endereços. Claro que não daria tempo de ir a todos, até porque o tempo de permanência na cidade seria curto e ainda havia a programação familiar, almoço aqui, jantar ali, a noite de Natal, o almoço do dia seguinte...
Mas segui as dicas que o tempo permitiu e especialmente em uma delas fiquei fascinado: Resto Gare. Uma boa comida francesa – Lucky me disse. Boa? Ótima, um dos melhores restaurantes dentre os tantos em que já estive entre os tantos cantos do mundo que já frequentei. Não arriscaria uma classificação direta e fria, mas se forçasse a barra poderia até ousar incluir entre os Top 5. Sem qualquer exagero.
O chef se chama Jamie Snow (claro que sem nenhuma referência ou trocadinho ao branco total lá de fora naqueles -13C que faziam naquela noite) e está mais para a cozinha clássica francesa, embora se permita alguns arroubos em determinados pratos. Estávamos em cinco e exceto por uma pessoa que preferiu ficar apenas no sanduíche (que o cardápio também oferece), todos os demais adoraram tudo o que foi à mesa, prato a prato, da entrada à sobremesa.

Pedimos um Chateau Pesquie Les Terrasses 2008 ($ 35, mas $ 15 na liquor house) (como é barato o vinho francês no Canadá!) e começamos a delirar a cada nova sensação de paladar, com a chegada das entradas.  
Escargots casserole.

Escargot Casserole (escargots salteados com batatas, echalotes, redução de vinho tinto e torradinhas de alho - $ 10), que estava com temperos bem equilibrados, sobressaindo-se o vinho, mas sem sobrepor sabor aos escargots.
Champignon fricassée.

No Champignon fricassée (Cogumelos salteados com tomilho, vinagrete de alho negro, pão grelhado e queijo parmesão raspado - $ 10) elogios totais à textura e ao sabor dos cogumelos, bem como ao ponto das torradas.
Coquilles Saint Jacques.

Mas o ponto alto das entradas foram as vieiras. No cardápio, o nome simples e básico: Coquilles Saint Jacques. Mas já conhecíamos as vieiras canadenses, os scallops, imaginamos o melhor. E foi melhor ainda. Pra começar eram vieiras enormes, daquelas que só existem por lá e que devem ser cortadas em quatro para irem à boca. E chegaram gratinadas em queijo gruyère, sobre um chantilly de batatas com trufas negras - $ 12. O marcante e insuperável sabor das trufas estava na medida, o suficiente para se exibir sem atropelar as delicadas vieiras. Inesquecível!
Passamos aos pratos principais.
Filet Mignon.

Exceto por um Filet Mignon (peça certificada de red angus, de 200g, ao ponto, também sobre um chantilly de batatas com trufas negras, mais molho bordelaise e legumes da época - $ 27) muito saboroso e sem qualquer restrição, os demais presentes pediram o mesmo prato: Bison Manitobain - $ 27. Já estava nos planos desde o Brasil, pois o bisão – aquele boizão barbudo - é o símbolo do estado de Manitoba e da região de Winnipeg e, na mesa, a melhor representação local. Quem pediu não se arrependeu.
Bison Manitobain.


Eram tenros nacos de short ribs (um corte da costela, sem osso) também com o molho bordelaise em redução de amoras, sobre purê de batatas e aspargos frescos cozidos al dente. A carne lembra muito a bovina, mais a de búfalo, tem um toque ligeiramente adocicado e é saborosíssima. O tempero do chef pode ter contribuído, mas o registro de paladar do bisão certamente já ocupa lugar de destaque em minha memória de agradáveis sabores.
Para sobremesa, uma Maple pie, apresentando outro produto típico do país. E esse ainda mais forte, pois uma folha da árvore de maple é o símbolo oficial do Canadá, com destaque em sua bandeira nacional. O maple syrup é aquela delícia que se derrama sobre as panquecas e os waffles nos cafés matinais (ou em outra hora do dia, conforme o gosto de cada um). A torta de maple foi o fecho ideal para uma noite mágica, como não seria de se esperar da gastronomia canadense.
Emily, a simpática garçonete, nos traz a Maple Pie.


O Resto Gare fica no bairro francês de Winnipeg, St. Boniface. E foi construído em torno de um vagão de trem (gare, em francês, é estação de trem), muito charmoso, com suas mesinhas arrumadas em ordem de um vagão-restaurante. É de se voltar sempre para nós, que já fomos. E de se ir para quem precisava de um motivo para conhecer Winnipeg.

sábado, 1 de janeiro de 2011

E o bacalhau chegou para o jantar

Lombo de bacalhau com creme de batatas ao shimeji.
Era para ser o almoço de primeiro de ano. Mas a comemoração do dia 31 foi longe, primeiro com filha e genro ao vivo, no clube, passagem oficial. E depois, na calada na madrugada, chegando de volta em casa, com filho e nora lá longe, em Winnipeg, preparando o réveillon caseiro, com quatro horas de fuso atrás.
Brindamos de novo, comemoramos outra vez e fomos dormir felizes.
Problema foi acordar e quando percebemos já não havia mais tempo para o preparo do bacalhau que havíamos escolhido para o almoço do primeiro feriado do ano. O que também não seria nenhum problema, pois foi só beliscar alguma coisa, aproveitar a tarde da Curitiba vazia (como a de 30 ou 40 anos atrás) e pensar no melhor para o jantar.
A receita escolhida tinha a ver com uma do chef Juliano Valese, do Torero Valese, que fica no Itaim Bibi, em São Paulo. Era para ser um Bacalhau com creme de batatas e aspargos verdes. Ideia interessante, mas prontamente descartada pelo fato de os aspargos frescos terem vindos do supermercado com espuminhas de bolor. Se ainda fosse queijo...
Troca imediata de última hora, pois nada abriu por aqui, do mercadinho da esquina ao shopping, mercadão ou supermercado. Na geladeira, alguns shimejis ainda bonitos e se oferecendo para a troca. Aceitos.
E assim foi feito, um Lombo de bacalhau com creme de batatas ao shimeji, com um belo vinho do douro e nosso jantar de primeiro de ano estava garantido. Com aplausos e sorrisos.

 


Lombo de bacalhau grelhado com creme de batatas ao shimeji

Com base em receita original do chef Juliano Valese, do Torero Valese (SP)

Ingredientes:

400g de lombo de bacalhau dessalgado
2 batatas cozidas
1 talo de alho-poró cortado bem fino (fritar em azeite e reservar)
150 g de cogumelos shimeji frescos, refogados em azeite
4 azeitonas pretas temperadas
50 ml de azeite extra virgem
1 colher (sopa) de manteiga clarificada
60 ml de leite
1 colher (sopa) de creme de leite
1 colher (sopa) de cebola roxa picada
1 alho picado
ervas frescas a gosto
sal e pimenta-do-reino (moída na hora, de preferência) a gosto

Modo de preparo:

Com o lombo já dessalgado, levar ao forno (220° C, já preaquecido) por 15 minutos em uma assadeira com as ervas frescas, cobrindo com papel alumínio. Retirar e reservar.
Colocar no mixer a batata, a manteiga, o creme de leite e o leite e bater até formar um creme. Refogar o alho e a cebola em um fio de azeite na frigideira de teflon. Despejar o creme obtido no mixer e acrescentar os cogumelos refogados. Colocar sal e pimenta a gosto e reservar.
Em uma frigideira de teflon colocar o azeite e grelhar o bacalhau dos dois lados, até que fique ligeiramente dourado.
Em um prato colocar o creme de batatas com aspargos, o bacalhau em cima do creme e espalhar o crisp de alho-poró. Dispor as azeitonas e com a sobra do azeite derramar por cima do bacalhau.

Rendimento: 2 porções.