domingo, 5 de setembro de 2010

Polvo grelhado com batatas ao murro e alho assado


Gosto muito de polvo. Aqui em casa todo mundo gosta. Quando vou a restaurante japonês, por exemplo, protesto quando não há niguiri ou sashimi de polvo. E me delicio com aqueles sushis de minipolvo (que custam uma nota mas valem a pena) que por aqui são encontrados no Nakaba ou no Kan.
Mas não é um prato muito comum nos restaurantes de Curitiba. O Bistrô do Victor, no Shopping Barigui, tem sempre. Tanto na brasa quanto em forma de risoto ou outro aproveitamento que a chef Eva dos Santos dá um jeito de fazer. Como está sempre presente na gastronomia portuguesa é de se esperar que se encontre nos restaurantes especializados, o que nem sempre ocorre. Na última vez que comi um Arroz de polvo na Camponesa do Minho (tem gente que pensa que lá só tem bacalhau, mas tem mais, inclusive algumas sardinhas bem interessantes) estava um pouco além da conta no sal. Mas costuma ser bom. E aí já nem sei se tão bom quanto o que fazemos em casa. A modéstia impede qualquer comparação.
Então tínhamos aqui um polvo à disposição. Pequeno, uns 800 g, na medida para uma boa refeição a dois. Umas batatas, o alho que é indispensável nessa combinação e pronto, tínhamos tudo à mão para acariciar nossas papilas gustativas. O prato seria um Polvo grelhado com batatas ao murro e alho assado. Simples, rápido e saboroso.

Para começar um vinho que talvez não tivesse nada a ver (um alvarinho cairia bem), mas que já me encantava havia algum tempo na adega. Um rosé francês (de cor mais para o laranja, intrigante), Gérard Bertrand 2008, Gris de Gris. Deu certo, felizmente.
Quanto ao prato, fomos fazendo na hora, sem receita. Mas, de qualquer forma, dei um jeito de ordenar as coisas para por aqui. Arrisque fazer, garanto o sucesso.


Polvo grelhado com batatas ao murro e alho assado

Ingredientes:
1 polvo de 800 g a 1 kg
1 cebola inteira com 1 cravo espetado
4 batatas médias
2 cabeças de alho
Sal e pimenta-do-reino (moídos na hora)
orégano
Flor de sal
Azeite de oliva

Modo de fazer:

Lave bem o polvo e ponha na panela de pressão com a cebola espetada. Mais nada, pois o polvo e a cebola soltam água. Cozinhe por 9 a 10 minutos a partir do instante em que a panela começa a chiar. Abra a panela e interrompa o cozimento, mergulhando o polvo na água fria. Separe os tentáculos e reserve.
Enquanto isso, leve ao forno quente (210º) as cabeças de alho cortadas em cima (como se tirasse a tampa), regadas com azeite e salpicadas com sal e orégano – embrulhadas em papel alumínio.
Lave bem as batatas e, com casca, afervente-as por uns 10 minutos. Passados uns 20 minutos do alho no forno, junte as batatas untadas com o azeite de oliva. Deixe no forno por mais uns 20 minutos. Em seguida, dê um murro em cada uma delas (sem violência, apenas para espremê-las) com a mão protegida por um pano de prato. Regue com o azeite e tempere com sal e pimenta, levando novamente a assadeira ao forno para o toque final em mais 10 minutos.
Aqueça bem uma grelha quase que esturricando. Passe os tentáculos e pedaços de polvo no azeite de oliva e arrume-os na grelha (não se assuste se algumas ventosas pularem, estourando feito pipoca), deixando uns 5 minutos de cada lado. Salpique com a flor de sal quando levar à mesa.
Monte o prato com os tentáculos de polvo ajeitados sobre as batatas ao murro. Desembrulhe o alho e ponha ao lado. Pronto, é só aproveitar.

Rendimento: 2 porções.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A lula premiada do Dolabella e a pescadinha ao forno


Passei pelo Mercado Municipal naquelas de ver o que fazer, buscar inspiração. Só tinha um rumo pré-definido, seria algo do mar. Na peixaria, atum, salmão, robalo, côngrio... mas tudo isso havia comido recentemente. Aí vi umas pescadinhas minúsculas, mas lindas, prateadas, gordinhas. Era aquilo, daí seria apenas encontrar uma maneira de fazer. Por via das dúvidas, na banca em frente (de verduras e frutas), garanti uns tomates, algumas cebolas roxas, cebolinha e limão siciliano.
Quando estava indo embora, a vitrine de outra peixaria me chamou a atenção: lulas frescas? Verdade, Raras nessa época do ano, quando o que se encontra são apenas aqueles robustos tubos de lulas importadas, havia ali algumas bem interessantes, inteiras ainda. Comprei, claro, porque na hora me veio uma ideia daquelas que chegam pela salivação: que saudades daquelas lulas do Marco Dolabella!
Foi o primeiro tema que publiquei quando comecei a escrever sobre gastronomia. Pena que os responsáveis pelo site não deram o devido cuidado à memória e o material mais antigo está jogado de qualquer jeito, sem as ilustrações devidas e sem links funcionando, como se tudo o que foi feito antes dessa gestão deles não servisse para nada. Mas a matéria está lá, com o título de Lula de qualquer jeito,, um toque sobre o sucesso no prato, então carro-chefe do Bar dos Passarinhos.
Aliás, lula foi o primeiro assunto da coluna temática por uma escolha não gastronômica. Na falta de melhor ideia para começar, aproveitei a onda do novo governo que se estabelecia no País e misturei os temas, sem qualquer conotação política. Ficou muito bacana.
E como o link da receita do Dolla não abre, vamos a ela, que vale a pena fazer, experimentar e aplaudir sempre.

Lula flambada ao shimeji

Por Marco Dollabela, chef e proprietário do Bar dos Passarinhos

Ingredientes:

2 colheres (sopa) de manteiga
1 dente de alho
250 g de lula limpa
50 g de cogumelo shimeji
pimenta-do-reino e sal a gosto
salsinha picada
50 ml de vodca
50 ml de saquê


Modo de fazer:

Aqueça bem a manteiga com o alho em fogo bem forte, quase um maçarico. Salteie rapidamente a lula e o shimeji até que a lula inche um pouco.
Despeje o saquê e a vodca por cima e incline a frigideira para flambar, virando as bordas para que o fogo pegue bem em todo o líquido.
Tempere com sal e pimenta-do-reino e salpique com a salsinha.

Rendimento: 2 porções.

Bar dos Passarinhos
Rua Princesa Isabel, 1901 – Bigorrilho (Curitiba)
Fone: (41) 3339-7788

Matei saudades daquele sabor (sei que ele vai me dizer que é só eu aparecer e coisas assim...) e me preparei para o peixe, que fiz no improviso mesmo e ficou muito gostoso.

Pescadinha ao forno

Ingredientes:

2 pescadinhas limpas, de ½ kg cada
3 tomates bem maduros
1 cebola roxa
Cebolinha picada
1 limão siciliano em rodelas
Ramos de coentro
Azeite de oliva
Sal e pimenta-do-reino (moídos na hora, de preferência)

Modo de fazer

Lave bem os peixes, enxugue com papel-toalha e tempere com sal e pimenta por dentro e por fora.
Unte uma assadeira com azeite de oliva, ponha as pescadas com alguns ramos de coentro dentro. Por cima espalhe rodelas de cebola, do limão siciliano e de 1 tomate e as cebolinhas. Corte os outros tomates em quartos e disponha na forma.
Regue com azeite de oliva e leve ao forno (180º) por cerca de 30 minutos.

Rendimento: 2 porções.

Noite de comida árabe na Confraria do Armazém


Não que tenha alguma coisa contra, mas é que as pessoas fazem tudo igual e o paladar já espera por tudo aqui posto à mesa. Quero dizer da comida árabe (vale o mesmo para a comida mexicana), que, nas ofertas que temos, pouco diferencia uma casa de outra, uma maneira de fazer de outra e, por melhor que seja, não causa aquele arrepio agradável de uma refeição além da medida do trivial.
O jantar desse mês da Confraria do Armazém conseguiu quebrar esse padrão. Jantar árabe, com tudo a que tem direito, desde os enormes e delicados pães, passando pelo Quibe cru, Tabule, Babaganuj e Homus Baytahine para atiçar o apetite dos confrades. Entre os pratos quentes, Chicbarak, Mjadra (arroz com lentilhas e umas cebolas crocantes inesquecíveis), Abobrinhas recheadas, Lhame Michui (kafta de cordeiro, mas feita na brasa, em formato de hambúrguer, saborosíssimas) e uma Paleta de Cordeiro tão macia que se desmanchava ao toque do garfo. De sobremesa, Manjar de Misk com água de rosas.
O grupo responsável pelo jantar contou com Farid Assad, Junior Durski, Maurício Smijtink e Carneiro Neto.
Todas as fotos são de Plínio Zanardi.